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Como acontece o vazamento de dados de uma empresa?

Vazamentos de dados surgem da combinação entre falhas técnicas, erros humanos e decisões operacionais mal avaliadas. É essencial entender isso para reduzir impactos financeiros, legais e reputacionais e fortalecer a segurança da informação nas empresas.

N

Nuvya

Criador

25 de maio de 2026
10 min de leitura
Como acontece o vazamento de dados de uma empresa?

O vazamento de dados de uma empresa pode ocorrer por diversos fatores e, na maioria dos casos, surge da combinação entre falhas técnicas, decisões operacionais mal avaliadas e comportamentos humanos. Esses fatores não atuam de forma isolada e, quando se sobrepõem, aumentam significativamente o risco de exposição de informações sensíveis. Dentre esses fatores estão:

  • Invasões cibernéticas (phishing, malware, exploração de vulnerabilidades),

  • Falhas humanas (envio errado de e-mail, senhas fracas, descuido)

  • Ou falhas de sistema (configurações incorretas, software desatualizado),

Essas situações podem resultar no acesso, na cópia ou na divulgação não autorizada de dados confidenciais para terceiros, trazendo consequências financeiras, operacionais e de reputação que impactam diretamente a continuidade do negócio.

As principais ameaças que causam vazamento de dados

1 - Ataques cibernéticos

As invasões cibernéticas seguem como um dos vetores mais relevantes de vazamento de dados. Técnicas como phishing, malware e exploração de vulnerabilidades continuam eficazes porque exploram tanto fragilidades técnicas quanto comportamentos humanos previsíveis.

O phishing envolve o envio de e-mails, mensagens ou links fraudulentos que induzem colaboradores a fornecer credenciais ou executar ações indevidas. De acordo com o relatório IBM Cost of a Data Breach 2024, mais de 40% dos incidentes analisados tiveram origem em ataques de phishing ou no uso de credenciais comprometidas.

Já o malware compreende códigos maliciosos que exploram falhas em sistemas para roubo, exfiltração ou sequestro de dados. O Acronis Cyberthreats Report H1 2025 aponta que o Brasil se consolidou como o segundo país mais atacado por malware no mundo em 2025, atrás apenas da Índia, com mais de 168 milhões de ameaças identificadas ao longo do ano.

Outro vetor relevante é a exploração de vulnerabilidades, que pode ocorrer tanto em aplicações internas quanto em sites, bancos de dados ou sistemas de terceiros conectados à rede corporativa. Técnicas como SQL Injection continuam sendo utilizadas para acesso indevido a bases de dados, enquanto falhas em fornecedores e parceiros ampliam o risco por meio da chamada cadeia de suprimentos digital.

2 – Falhas Humanas

As falhas humanas continuam entre as principais causas de vazamento de dados e podem ocorrer de forma acidental ou por negligência. O envio de informações para destinatários incorretos, a perda ou esquecimento de dispositivos contendo dados e o uso inadequado de permissões são exemplos comuns de erros operacionais.

A negligência também se manifesta na reutilização de senhas, na ausência de validações internas e no descumprimento de boas práticas básicas de segurança. O desconhecimento ou a subestimação dos riscos contribui para a criação de brechas que dificilmente são detectadas de forma imediata.

Segundo o Verizon Data Breach Investigations Report, o fator humano esteve presente em mais de 70% dos incidentes analisados, seja por erro, engenharia social ou uso inadequado de credenciais.

3 – Falhas de sistema ou infraestrutura

Outro vetor recorrente está relacionado às falhas de sistema e de infraestrutura. Ambientes mal configurados, permissões excessivas, aplicações desatualizadas e ausência de correções de segurança ampliam a superfície de ataque e facilitam a exploração por agentes maliciosos.

Softwares com falhas de segurança conhecidas e sem correção continuam sendo um dos pontos mais explorados. Estimativas do setor indicam que cerca de 33% das vulnerabilidades críticas e de alta gravidade permanecem sem aplicação de patch por mais de 180 dias nas empresas.

Mesmo quando correções estão disponíveis, o risco persiste. Um exemplo recente envolve uma vulnerabilidade crítica no sistema operacional utilizado por firewalls da Fortinet, identificada inicialmente em 2020. Apesar do patch ter sido disponibilizado, a falha voltou a ser explorada ativamente cinco anos depois, evidenciando como a falta de gestão contínua de atualizações mantém riscos latentes ao longo do tempo.

Outras ações que provocam o vazamento de dados

Além de erros e negligências, existe um terceiro cenário no vetor humano: o vazamento intencional. Funcionários com acesso autorizado podem expor dados de forma deliberada, geralmente motivados por ganhos financeiros ou conflitos internos.

Esse tipo de incidente é especialmente sensível, pois envolve credenciais legítimas e conhecimento interno dos sistemas. Em 2025, durante a investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo sobre o caso C&M Software, considerados um dos maiores ataques ao sistema financeiro brasileiro, foi identificado que um funcionário teria fornecido suas credenciais em troca de aproximadamente quinze mil reais.

Casos como esse demonstram que controles técnicos precisam ser acompanhados de políticas de acesso bem definidas, segregação de funções e monitoramento contínuo de atividades privilegiadas.

Quais tipos de dados cuja exposição é considerada um vazamento?

É considerado vazamento de dados qualquer exposição não autorizada, acidental ou intencional, de informações sensíveis ou confidenciais que possam causar danos a indivíduos ou à própria organização. Isso inclui diferentes categorias de dados.

1 - Dados pessoais e informações de identificação individual (PII)

São os dados mais frequentemente envolvidos em vazamentos e são protegidos por legislações como a Lei Geral de Proteção de Dados. A exposição desse tipo de informação pode resultar em roubo de identidade, fraudes financeiras e prejuízos diretos aos titulares:

  • Nomes completos, endereços, números de telefone e e-mails.

  • Documentos de identificação, como CPF, RG, CNH e datas de nascimento.

  • Informações financeiras, incluindo números de contas bancárias e cartões de crédito.

  • Dados de saúde, como histórico médico, planos de tratamento e resultados de exames (Informações de Saúde Protegidas - PHI).

  • Credenciais de autenticação, como nomes de usuário e senhas, que podem ser usadas para acessar outros sistemas.

2 - Dados corporativos e propriedade intelectual

Informações internas também representam alto risco quando expostas. Vazamentos desse tipo comprometem a vantagem competitiva, a segurança operacional e a conformidade legal da empresa. Entram nessa categoria:

  • Segredos comerciais e propriedade intelectual: Fórmulas, designs de produtos, códigos-fonte proprietários, dados de pesquisa e estratégias comerciais confidenciais.

  • Comunicações internas: E-mails, memorandos e registros de chat que revelem operações, negociações ou assuntos jurídicos da organização.

  • Registros de funcionários: Dados de RH, informações salariais e registros de desempenho.

  • Dados operacionais e de configuração: Diagramas de rede, configurações de servidores e credenciais de implantação que podem ajudar invasores a comprometer a infraestrutura.

  • Informações estratégicas: Planos de negócios, listas de clientes, dados de vendas e preços de fornecedores.

De forma geral, qualquer dado classificado como confidencial, restrito ou privado e que, se exposto, possa gerar impacto financeiro, legal ou reputacional, caracteriza um vazamento.

O que a empresa deve fazer apos um vazamento de dados?

Após um vazamento, a resposta precisa ser rápida, estruturada e alinhada a um plano de resposta a incidentes.

  • A primeira etapa envolve contenção imediata, com isolamento dos sistemas afetados, acionamento da equipe responsável e preservação de evidências para análise forense.

  • Em seguida, é necessária uma investigação detalhada para identificar a causa raiz, a extensão da violação e quais dados foram comprometidos.

  • No Brasil, a empresa deve notificar a Autoridade Nacional de Proteção de Dados conforme previsto na LGPD, além de comunicar os titulares afetados e parceiros envolvidos, de forma clara e transparente.

  • A fase de recuperação inclui a restauração dos sistemas a partir de backups confiáveis, a correção das falhas identificadas e a implementação de medidas preventivas adicionais.

Por fim, a organização deve revisar seus processos, fortalecer controles de segurança, investir em treinamento e realizar auditorias periódicas para reduzir a probabilidade de novos incidentes.

Como ocorre o vazamento de dados?

O vazamento de dados geralmente segue um fluxo relativamente previsível. O invasor obtém acesso inicial, explora vulnerabilidades ou permissões excessivas, copia as informações e as exfiltra para terceiros. Em muitos casos, esses dados são comercializados na dark web ou expostos publicamente, dando origem a fraudes e outros crimes.

Atualmente, esse processo tem se tornado cada vez mais automatizado. Ferramentas baseadas em inteligência artificial varrem a internet continuamente em busca de ambientes mal configurados, como repositórios e buckets de armazenamento abertos em plataformas de nuvem. Quando encontrados, os dados são coletados, classificados e catalogados de forma automática, priorizando informações de maior valor.

Para alinhar a segurança da informação às exigências da LGPD e às orientações da ANPD, é fundamental avaliar continuamente processos, infraestrutura e controles de acesso. Esse cuidado reduz riscos, preserva a confiança e fortalece a continuidade dos negócios em um ambiente cada vez mais exposto.